Entrevista de Jorge Nemr à CNN Money, 06/04/26
Em entrevista ao Alta Voltagem, programa televisivo da CNN Infra, o presidente do conselho da companhia, Jorge Nemr, explicou que a empresa se prepara para atuar em três frentes: exploração de minerais críticos, desenvolvimento de microrreatores e irradiação de alimentos.
O grupo Diamante avança na estratégia de diversificação de negócios com foco no setor nuclear e na exploração de minerais críticos, em linha com a crescente demanda global por insumos ligados à transição energética.
A área de mineração está sob o guarda-chuva da NBEPar (Núcleo Brasil Energia Participações), holding nuclear do grupo, que firmou parceria recentemente com a Uranium One Group JSC, subsidiária da estatal russa Rosatom, para a criação da joint venture Nadina Minerals. A empresa terá como foco o desenvolvimento de projetos de exploração de minerais estratégicos no país.
“Estamos prontos para explorar minerais críticos. Já temos requisições feitas na ANM (Agência Nacional de Mineração) de várias áreas na Bahia e no Paraná e estamos começando as pesquisas. Hoje o foco é minerais críticos, mas se a gente achar urânio e a lei permitir, esse será um grande objetivo”, afirmou.
O segundo eixo é no campo tecnológico. A Diamante já participa, em parceria com a Finep e um consórcio de instituições científicas brasileiras, do desenvolvimento do Microrreator Nuclear Brasileiro. Com capacidade de 5 MW, o equipamento é voltado ao fornecimento de energia em sistemas isolados e faz parte de uma estratégia nacional de domínio tecnológico no setor.
A viabilidade de novos empreendimentos nucleares com apoio da iniciativa privada passa pelo enquadramento constitucional e legal, já que esse tipo de projeto é de monopólio da União.
Nemr explica que o movimento segue uma lógica semelhante à abertura do setor de petróleo no país, hoje operado por diferentes empresas em parceria com o Estado. “O petróleo é monopólio da União, mas há vários players explorando em parceria com a União. Em nuclear não vai ser diferente. Já há uma legislação que permite, mas falta a regulamentação”, disse.
Já a terceira frente envolve a irradiação de alimentos, tecnologia utilizada em cerca de 60 países para ampliar a durabilidade e a segurança alimentar. “O Brasil é considerado o celeiro do mundo na produção de alimentos. Com essa tecnologia, poderemos exportar alimentos para o mundo com mais “vida útil”, afirmou o executivo.
Fonte: CNN Brasil